Sunday, July 29, 2007

freak dream show - email pra mãe ivana

olá Mãe!!

fazia tempo que eu não te escrevia... meus sonhos malucos deram uma trégua... até ontem.

sonhei que tava em SP, mas num supermercado aqui de Floripa (ou seja, tava em SP/Floripa) . E na volta das compras, eu e a minha irmã tinhamos perdido o carro. não estava mais onde nós haviamos deixado. Demos algumas voltas pelo estacionamento e nada do carro. voltamos pra dentro do supermercado, saimos por escadas q nos levavam à salas de cinema... sala 1 sala 3... voltamos para o estacionamento e já dentro do carro de não sei quem, saimos de carro do estacionamento pra entrar pela outra torre ( O.o) do supermercado... passamos por trás do supermercado, era um terreno baldio, de chão de barro com crianças brincando de pipa e futebol... parecia suburbio sabe? aí pra voltar pro supermercado, passamos por ruas com mendigos, muros pichados, bem cenário de suburbio mesmo.. dava receio, sensação esquisita. resolvemos então voltar pro supermercado por outra entrada, então já dentro do estacionamento rodamos denovo e sem achar o carro, acordei...

agora, sem muito a ver com sonhos, uma vez um amigo meu que era psicologo, falou alguma coisa pra mim sobre a caixa de pandora, que eu tinha uma coisa muito forte em mim, que me assemelhava muito com ela.

Fui pesquisar o porque de tudo isso, e li toda a historia dela. Ela apesar de todos os pesares, encontra forças onde não existe, se reergue pra vida nova.

Pelo que eu entendi, Pandora foi FEITA por Zeus, como vingança à Prometeu, por ele ter roubado o fogo sagrado dos deuses pra dar pra humanidade. Ela foi uma isca? Eu sou uma isca? Ela era ingênua como muitas vezes eu sou...

Mãe,

Parece que eu escrevendo achei respostas às perguntas que eu fiz pra senhora.
Me sinto hoje inteligente, útil, criativa, avivada... faz tempo que eu não sentia isso

Aguardo Resposta Anciosa.

Carola

e a resposta:

Oi querida,
Prometeu roubou sim a chama sagrada de Deus sol para dar vida ao homem de argila que
criara. Zeus mandou castigá-lo acorrentando-o no alto de uma montanha. Todos os dias, um
corvo ia comer as vísceras de Prometeu. Mas antes de ser pego, ele deixou uma caixa sob
a guarda de seu irmão Eptemeu. Essa caixa guardava todos os males do mundo, por isso
Prometeu recomendou ao irmão que ninguém nunca se aproximasse dela.
Foi pela inconformidade com os homens que os deuses resolveram criar Pandora, a primeira
mulher. Foi ela, Carol, que seduziu Eptemeu e chegou à caixa. Foi ela que abriu a caixa
permitindo aos males que saíssem e habitassem nosso mundo. E sim, querida, fez porque
sua existência estava condenada a isso. Ela foi a isca, se você preferir falar assim.
Mas a vingança não foi exatamente para Prometeu, a vingança foi pra nós, seres mortais e
humanos.
Pelo que sei de você, meu bem, que não é muito, mas deve ser o suficiente, você não se
assemelha com Pandora. Apesar da ingenuidade que você reconhece em si, você conhece seu
objetivo no mundo.

E então, inteligente mais do que se sabe ser, você traz essa questão juntamente com um
sonho que mostra sua ansiedade de escolha. O sentimento de estar perdida em relação ao
destino. O anseio de entrar para um mundo desconhecido e ter de viver sem se reconhecer
nele. Pandora não se reconhecia, Carol. Pandora nasceu fadada ao destino que lhe cabia.
Não teve escolha. Você tem, meu bem. Mas o perder-se é também estar em dúvida de que
caminho tomar. Uma hora você sente o mundo estável e na outra ele já parece tão adio.
Você não é isca, Carol, você é o peixe se aprontando para descer o rio. Um peixe
inteligente, útil, criativo e tudo o que sentir ser.
Que orgulho, minha filha.

Siga assim sempre.

Um beijo da sua,
Mãe.

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